Dice (Limestone)

Carsten Höller

Carsten Höller’s piece questions our constant need for having control over everyday life. The common belief in the power of previsibility – so incredibly present on our social and economic structures – stops us from contacting with situations that are dominated by luck and doubt. By creating a large-scaled die in which the dots are replaced by perforations large enough to enter, the artist invites visitors to explore a dimension of life that is marked precisely by unpredictability, mirroring a sense of adventure that resembles the one we experience in childhood.

Contradicting the anticipation that marks our daily lives, this artwork calls for an exploration of luck, a frequent concept in Höller’s work. For Expanded, the artist presents a piece made of Lioz, one of the most used and widely-known limestones in Portugal.

In the context of this project, Carsten Höller created a new version of his Dice piece from 2014. The dots of the large-scale cube are replaced with openings that allow visitors to penetrate the piece. Höller’s work has progressively been focusing on two subjects: on the one hand, the creation of structures that work as devices that can be used (complemented, or activated) by the spectator, converted into user; on the other, his inhabited or usable sculptures are porous, i.e., they have perforations, connections between interior and exterior, calling upon the organicity of the structures we recognise from our functional connection with the world. In agreement with Daniel Birnbaum, Höller has called the first of these characteristics “unsaturated”, for these installations are about the function of their use, about being and not being the subject - which implies an ontology of the process and action, rather than of the results. Unlike a long artistic tradition that has a predilection for the work’s objectuality and reification, Höller’s installations call for action and use. The second of these characteristics, porosity - or permeability between inside and outside -, involves a great phenomenological sophistication, and requires the possibility of a perceptive change. At times, the connection between the inner and outer part of a given device proposes a vertiginous immersion (such as the massive slide installations exhibited in the Tate Modern’s Turbine Hall, Hayward Gallery, and ArcellorMittal Orbit; or in the various other slides Höller has been conceiving since 1999), predicating that art holds that emotional capital based on the transformation of our fruition.Carsten Höller realizou, no contexto deste projeto, uma nova versão da sua obra Dice, de 2014. O cubo de grandes dimensões tem os pontos substituídos por aberturas para o seu interior, podendo ser penetrado pelos visitantes. A obra de Höller tem vindo, progressivamente, a ser sobre dois tópicos: por um lado, a criação de estruturas que são, sobretudo, dispositivos a ser utilizados (completados, ou ativados) pelo espetador convertido em utilizador; por outro, as suas esculturas habitadas ou utilizáveis são porosas, isto é, têm orifícios de acesso, conexões entre interior e exterior, convocam uma organicidade a partir de estruturas que conhecemos da nossa relação funcional com o mundo. À primeira destas características, Höller e Daniel Birnbaum chamaram “não-saturado” (unsaturated), na medida em que as suas instalações são sobre o processo da sua utilização, sobre o ser e não sobre o sujeito – o que implica uma ontologia do processo e da ação, mais do que do resultado. Ao contrário de uma longa tradição artística que privilegia a objetualidade da obra e a sua reificação, as instalações de Höller são possibilidades de ação, ou de uso. A segunda das características, a porosidade ou a permeabilidade entre o seu interior e o exterior, implica uma grande sofisticação fenomenológica e a proposta de uma possibilidade de alteração percetiva. Por vezes, as conexões entre o interior e o exterior de um dispositivo propõem uma imersão vertiginosa (como no caso dos enormes escorregas da instalação realizada no Turbine Hall da Tate Modern, na Hayward Gallery, no ArcellorMittal Orbit, ou nos vários escorregas que tem concebido desde 1999), pressupondo que a arte possui esse capital emocional assente na transformação da nossa fruição.
The cube he has now created is based on a contradiction (a frequent occurrence in Höller’s creative process) between the solemnity of limestone and the lucidity of the device, which forms a playground (owing to the dimensions of the inside). References are deeply rooted in Art History: in particular the memory of Tony Smith’s 1962 Die, a wordplay regarding the piece’s dimension, the depth of a grave, now converted into an amusing game. This scale also suggests that the object could have come from Brobdingnag, the island of giants where Gulliver docked. In Höller’s complex imaginary, in which the change of perception seems to be the artworks' fate, limestone ironizes the potential of the monument, transferring its objectual character to a virtually metaphorical dimension of the humorous fragility of existence. Delfim Sardo May 2019O cubo que agora realizou parte de uma contradição (como é frequente no seu processo criativo) entre a solenidade, neste caso do Lioz, e o caráter lúdico do dispositivo, de facto um parque infantil (pelas dimensões do interior). As referências mergulham na história da arte: a memória do cubo de Tony Smith de 1962, intitulado Die, jogo de palavras que implicava, pela sua dimensão, a profundidade de uma sepultura, agora convertido num jogo lúdico. Mas também o jogo de escala, como um objeto saído de Brobdingnag, a ilha de gigantes onde aportou Gulliver. Na complexidade do imaginário de Höller, no qual a alteração da perceção parece ser o destino dos dispositivos artísticos, o dado em Lioz ironiza a possibilidade do monumento, remetendo o seu caráter objetual para uma dimensão quase metafórica da fragilidade lúdica da existência. Delfim Sardo Maio 2019